Ao longo de 35 anos, a entidade ajudou a construir segurança jurídica, diálogo institucional e uma agenda técnica para a silvicultura em São Paulo.

Quando a Florestar – Indústria Florestal Paulista foi criada, no início da década de 1990, o setor florestal paulista vivia um período de transição profunda. O crescimento das florestas plantadas já era uma realidade econômica, mas o ambiente institucional, regulatório e social ainda carecia de articulação, segurança jurídica e reconhecimento público. Trinta e cinco anos depois, a trajetória da associação se confunde com a própria maturação da silvicultura no Estado de São Paulo.

A origem da Florestar está ligada a uma lacuna clara de representação. À época, as empresas florestais contavam principalmente com entidades de abrangência nacional, como a então BRACELPA, antecessora da IBÁ, cuja atuação estava concentrada nos segmentos de celulose, papel e painéis de madeira. Embora relevantes, essas entidades não conseguiam absorver as especificidades regionais de São Paulo — um estado com grande diversidade produtiva, diferentes perfis de produtores e uma estrutura regulatória própria.

O nascimento de uma entidade regional forte

Foi nesse contexto que, em 1990, surgiu a Florestar. A entidade foi criada durante uma reunião considerada histórica, realizada na antiga Champion Papel e Celulose, em Mogi Guaçu, reunindo representantes de empresas florestais de diferentes portes, associações de produtores e técnicos de órgãos ligados à Secretaria da Agricultura do Estado, especialmente do então Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN).

Manoel de Freitas / Divulgação

“Naquele momento, o setor precisava de uma voz própria, que dialogasse diretamente com o governo estadual e com a sociedade paulista”, relembra Manoel de Freitas, engenheiro florestal e primeiro presidente da Florestar. Ele esteve à frente da entidade nos seus primeiros cinco anos, período decisivo para consolidar sua credibilidade institucional.

Segundo Freitas, a união do setor foi determinante para o sucesso da iniciativa. “A Florestar nasceu com o propósito de defender as necessidades do setor florestal paulista e, ao mesmo tempo, mostrar à sociedade a importância econômica, ambiental e social das florestas plantadas”, afirma.

Proximidade institucional e segurança jurídica

Nos primeiros anos, a atuação da Florestar esteve fortemente ligada ao diálogo com os órgãos públicos estaduais. A proximidade com a Secretaria da Agricultura, as Casas da Agricultura e as estruturas regionais do governo permitiu que a entidade participasse ativamente da construção de políticas públicas e da interpretação de normas ambientais que impactavam diretamente a produção florestal.

Para Nelson Barbosa Leite, engenheiro agrônomo e silvicultor, esse trabalho foi essencial para garantir segurança jurídica em um período marcado por incertezas regulatórias. “São Paulo tinha políticas específicas, como a reposição florestal, que exigiam acompanhamento técnico e institucional constante. Era preciso alguém que conhecesse a realidade do campo e levasse essas demandas ao governo”, explica.

Nelson Barbosa Leite

Além das grandes empresas, a Florestar teve papel relevante na integração dos pequenos e médios produtores, especialmente em regiões onde o acesso à tecnologia e à informação ainda era limitado. A entidade atuou como ponte entre o conhecimento técnico das grandes empresas e a realidade dos produtores independentes, promovendo capacitação, reuniões regionais e ações de extensão.

A evolução do associativismo florestal

Com o passar dos anos, o setor florestal paulista passou por um processo de amadurecimento técnico e econômico. A engenharia florestal deixou de ser guiada apenas pela vocação e passou a incorporar de forma mais intensa conceitos de gestão, produtividade e eficiência.

José Ricardo Ferraz

Esse movimento também transformou a Florestar. De acordo com José Ricardo Ferraz, engenheiro florestal e ex-presidente da entidade, a associação deixou de ser apenas um grupo de entusiastas para se tornar uma organização orientada a resultados. “A competitividade do setor e a necessidade de uma comunicação mais clara com a sociedade exigiram uma nova postura. A Florestar foi o espaço escolhido para conduzir essa transformação”, afirma.

Durante sua gestão, Ferraz liderou uma mudança importante no estatuto da entidade, ampliando sua representatividade. A Florestar passou a integrar, de forma estruturada, produtores florestais independentes, empresas prestadoras de serviços, fabricantes de equipamentos, investidores e outros elos da cadeia produtiva. Essa diversidade fortaleceu a legitimidade da associação e ampliou sua capacidade de interlocução institucional.

Sustentabilidade como construção histórica

Muito antes de o termo sustentabilidade ganhar destaque no debate público, o setor florestal paulista já convivia com regras ambientais rigorosas. Segundo Nelson Barbosa Leite, o respeito à legislação e às áreas de preservação sempre fez parte da cultura do setor, embora o conceito tenha se ampliado ao longo do tempo.

“O que hoje chamamos de sustentabilidade envolve não só o meio ambiente, mas também questões sociais, relações de trabalho, proteção da biodiversidade e uso responsável dos recursos hídricos”, afirma. Nesse processo, a Florestar teve papel relevante ao mediar conflitos, esclarecer informações técnicas e apoiar seus associados em momentos de pressão social e política.

A atuação da entidade foi especialmente importante em debates municipais e regionais sobre o plantio de florestas, uso do solo e ocupação de áreas sensíveis, ajudando a construir soluções técnicas baseadas em ciência e diálogo.

Um legado construído coletivamente

Ao completar 35 anos, a Florestar se apresenta como uma entidade madura, que soube evoluir sem perder sua essência. Para Manoel de Freitas, o segredo dessa longevidade está na capacidade de adaptação e no espírito coletivo. “A Florestar sempre se aperfeiçoou, se ajustando às novas demandas e mantendo seus participantes unidos em torno de um objetivo comum”, destaca.

A história da associação se confunde com a própria consolidação da silvicultura paulista, hoje reconhecida nacional e internacionalmente por sua produtividade, base técnica e compromisso com boas práticas. Mais do que representar interesses setoriais, a Florestar ajudou a construir pontes — entre empresas e produtores, entre o setor e o governo, e entre a silvicultura e a sociedade.

Em um cenário de novos desafios, como a intensificação tecnológica, a agenda climática e a crescente cobrança por transparência e responsabilidade social, a entidade chega aos seus 35 anos preparada para seguir desempenhando um papel estratégico no futuro das florestas plantadas no Brasil.

Saiba mais sobre a Florestar no link.

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