Impulsionado pela alta demanda global por celulose, segmento atinge US$ 1,4 bilhão em vendas e ajuda a garantir superávit de US$ 8,37 bilhões para o estado nos primeiros cinco meses de 2026, mesmo diante de um cenário de preços internacionais pressionados.

Em meio a um cenário global desafiador para as cotações de commodities agrícolas, o agronegócio paulista encontrou na força das suas florestas plantadas um pilar de sustentação para a balança comercial do estado. De janeiro a maio de 2026, as exportações de produtos florestais saltaram 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, somando US$ 1,4 bilhão e garantindo ao segmento uma fatia de 13% de tudo o que o agro de São Paulo vendeu ao exterior.

Os dados, levantados pela Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), ligada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, mostram que o desempenho florestal foi puxado fundamentalmente pela celulose, que respondeu por 65,1% dos embarques do setor, seguida pelo papel (28,8%).

Para José Alberto Ângelo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), o segmento florestal se mantém firme entre os protagonistas da pauta exportadora paulista. O movimento é sustentado, sobretudo, por uma demanda internacional aquecida por celulose, com a China figurando como um dos principais compradores.

Volume compensa queda de preços no saldo geral

O vigor do setor florestal, somado aos avanços nas vendas de carnes (+20,1%) e do complexo soja (+17,4%), foi determinante para que o agronegócio paulista registrasse um superávit de US$ 8,37 bilhões nos cinco primeiros meses do ano. Ao todo, o agro do estado exportou US$ 10,85 bilhões e importou US$ 2,48 bilhões.

Embora a receita total das exportações tenha recuado 3,2% no comparativo anual — reflexo direto da desvalorização de produtos de peso, como açúcar e suco de laranja —, o volume físico embarcado cresceu 5,2%.

“Isso mostra que o agronegócio paulista continua vendendo mais produtos ao exterior”, analisa Carlos Nabil Ghobril, diretor da APTA. A leitura é compartilhada pelo secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, que vê no aumento do volume uma prova de eficiência. “Quando o preço cai e o volume cresce, o mérito está mais dentro da porteira. É um resultado que reflete produtividade, tecnologia e a capacidade dos produtores paulistas de seguir atendendo mercados cada vez mais exigentes”, avalia o secretário.

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